Ceará alcança 146,9 mil cooperados e movimenta R$ 7,5 bilhões, aponta AnuárioCoop 2026
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Estado encerrou 2025 com 145 cooperativas registradas, 14.521 empregos diretos e 21 novos registros; ativos cresceram 16,1% e chegaram a R$ 5,2 bilhões
O cooperativismo cearense encerrou 2025 com resultados que demonstram sua importância para a geração de trabalho, renda e oportunidades no estado. Dados do Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2026 (AnuárioCoop), divulgado pelo Sistema OCB, mostram que o Ceará alcançou 146.908 cooperados, 145 cooperativas registradas e 14.521 empregos diretos.
O desempenho financeiro também avançou. As cooperativas cearenses movimentaram R$ 7,5 bilhões em ingressos, crescimento de 10% em relação ao ano anterior. Os ativos chegaram a R$ 5,2 bilhões, com alta de 16,1%, enquanto o capital social atingiu R$ 601,1 milhões, avanço de 7,7%. As sobras somaram R$ 283,4 milhões, resultado 8,9% superior ao registrado no período anterior.
Número de cooperados praticamente dobra desde 2019
O quadro social do cooperativismo no Ceará passou de 73,6 mil cooperados, em 2019, para 146.908, em 2025. O crescimento acumulado de 99,6% mostra que o número de pessoas vinculadas às cooperativas cearenses praticamente dobrou em seis anos. Em comparação com 2024, quando o estado contabilizava cerca de 145,47 mil cooperados, houve aumento próximo de 1%.
Também cresceu o número de organizações. O Ceará passou de 129 cooperativas registradas, em 2024, para 145 em 2025, expansão de 12,4%. Ao longo do ano, foram registradas 21 novas cooperativas no estado. Esse volume representa cerca de 26% dos 81 novos registros contabilizados em todo o Nordeste, região que ultrapassou o Sul e passou a ocupar a segunda posição nacional em quantidade de cooperativas.
Empregos voltam ao patamar de 14,5 mil
As cooperativas cearenses foram responsáveis por 14.521 empregos diretos em 2025. O resultado representa aumento aproximado de 26,5% sobre os cerca de 11,48 mil postos registrados em 2024 e recoloca o setor próximo ao patamar alcançado em 2023, quando havia 14,62 mil empregados.
Em uma perspectiva mais longa, a quantidade de empregos gerados pelas cooperativas cresceu mais de 56% desde 2019, quando o estado contabilizava aproximadamente 9,28 mil postos de trabalho.
Saúde lidera movimentação financeira e TPBS reúne mais cooperados
Os dados por ramo evidenciam diferentes vocações do cooperativismo cearense. O ramo Saúde apresentou a maior movimentação financeira: suas 34 cooperativas reuniram 19.782 cooperados e 5.088 empregados, com R$ 5,2 bilhões em ingressos, R$ 2,4 bilhões em ativos e R$ 190,2 milhões em sobras. Sozinho, o ramo respondeu por aproximadamente 69% dos ingressos de todo o cooperativismo no estado.
O ramo Trabalho, Produção de Bens e Serviços (TPBS) concentrou o maior quadro social e o maior número de empregos. Foram 63.531 cooperados e 8.544 trabalhadores distribuídos em 24 cooperativas, além de R$ 1,2 bilhão em ingressos, R$ 513,2 milhões em ativos e R$ 4,5 milhões em sobras. Somados, TPBS e Saúde responderam por quase 94% dos empregos diretos gerados pelas cooperativas cearenses.
O Crédito apareceu em seguida no número de cooperados, com 55.319 pessoas associadas a três cooperativas. O ramo contabilizou 405 empregos, R$ 392,6 milhões em ingressos, R$ 2,1 bilhões em ativos e R$ 77,3 milhões em sobras.
Já o Agropecuário manteve a maior quantidade de cooperativas: foram 57 organizações, que reuniram 5.586 cooperados e 403 empregados. O ramo movimentou R$ 451,6 milhões em ingressos, registrou R$ 115,9 milhões em ativos e alcançou R$ 9,5 milhões em sobras.
O Transporte contou com 24 cooperativas, 2.626 cooperados e 81 empregados, além de R$ 129,7 milhões em ingressos, R$ 51,7 milhões em ativos e R$ 1,6 milhão em sobras. O panorama estadual é completado pelos ramos Infraestrutura, com duas cooperativas e 42 cooperados, e Consumo, com uma cooperativa e 22 cooperados.
Mulheres são maioria no quadro social e entre os empregados
As mulheres representaram 50,32% do quadro social das cooperativas cearenses em 2025, enquanto os homens corresponderam a 49,68%. A presença feminina é ainda maior entre os empregados: elas ocuparam 58,67% dos postos de trabalho do setor, diante de 41,33% de participação masculina.
Essa maioria, no entanto, ainda não se reflete na mesma proporção nos espaços de decisão. Entre 917 dirigentes das 145 cooperativas analisadas, 26,61% eram mulheres e 73,39%, homens. Apesar da diferença, houve avanço em relação a 2024, quando a participação feminina na direção era de 23,71% — crescimento de 2,9 pontos percentuais em um ano.
O ramo TPBS se destaca nesse aspecto: as mulheres ocupavam 67,65% das posições de direção e representavam 60% de seu quadro social. Na governança dos demais ramos apresentados pelo levantamento, a participação feminina era de 28,96% no Agropecuário, 25,63% na Saúde, 23,08% no Crédito, 6,02% no Transporte e inexistente na Infraestrutura.
Panorama brasileiro
Os resultados do Ceará integram um movimento de expansão observado em todo o país. Em âmbito nacional, o AnuárioCoop 2026 registra 29 milhões de cooperados, 4.400 cooperativas em atividade e 613.373 empregos diretos. As cooperativas brasileiras movimentaram R$ 848,4 bilhões em ingressos e alcançaram R$ 1,6 trilhão em ativos em 2025.
O levantamento nacional também contabilizou 302 novas cooperativas, R$ 61,3 bilhões em sobras, R$ 122,7 bilhões em capital social integralizado e R$ 20,4 bilhões em tributos recolhidos.
O AnuárioCoop 2026 reúne dados econômicos, sociais e de governança dos sete ramos do cooperativismo e permite consultar os resultados por estado. O conteúdo completo está disponível em anuario.coop.br.