III Seminário Estadual do Ramo Agropecuário debate acesso das cooperativas a novos mercados
Realização do Sistema OCB Ceará, encontro debateu no Marina Park Hotel de Fortaleza, na sexta-feira - 6 de dezembro - as tendências e novidades que possibilitem às cooperativas tornarem-se mais sustentáveis e competitivas. O bom público interagiu com muitas perguntas e sugestões. Música nordestina presente com o grupo Era Só o Que Faltava, de associados da Cooperai – Cooperativa Agropecuária de Trairi.
Acesso a mercados
A escolha do tema resultou de um diagnóstico realizado pelo Sescoop Ceará, que identificou as dificuldades das cooperativas em diversificarem os seus canais de comercialização, que, na maioria das vezes, limita-se às compras institucionais. Apesar de se constituírem canais de vendas adequados, as cooperativas precisam estar ainda mais preparadas para a inserção mais ampla e expressiva no mercado convencional.
Em atendimento às necessidades das cooperativas agropecuárias (acesso a novos mercados), quatro palestras com especialistas de diversas áreas e conteúdos diversos e complementares, compuseram o rol de apresentações.
A OCB no AgroNordeste
O Analista da OCB Nacional e Engenheiro Agrônomo João Prieto iniciou o Seminário com a abordagem “A atuação do Sistema OCB e o Programa AgroNordeste”, destacando o plano de ação do Governo Federal para alavancar o desenvolvimento econômico e social sustentável da agropecuária na região Nordeste. O Sistema OCB/CE é um dos parceiros envolvidos em sua execução, junto a demais órgãos vinculados ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).
João Prieto pontou os sete desafios que o MAPA e seus parceiros têm adiante na busca dos melhores resultados para a região: Cobertura da assistência técnica, Acesso a crédito, Energia e conectividade no campo, Organização dos produtores, Adoção de tecnologias, Novas oportunidades de integração comercial e Oportunidade para a juventude rural.
Prieto destacou ainda o trabalho político do Sistema OCB na defesa e promoção do desenvolvimento do cooperativismo no Brasil.
Selo ARTE
E exposição da temática ficou a cargo da Engenheira Agrônoma e perita do MAPA, Ana Luísa de Andrade e Sousa. O Selo ARTE é uma certificação, lançada recentemente, que possibilita aos produtos fabricados de maneira artesanal serem comercializados em todos os estados do país, seguindo alguns critérios básicos, menos burocráticos do que as certificações existentes hoje. “É preciso que o produto esteja certificado e cumpra com as boas práticas agropecuárias e de fabricação exigidas pela Prefeitura ou Governo Estadual”, ressaltou.
O Selo ARTE será uma importante agregação de valor ao produto das cooperativas agropecuárias, pois atestará a qualidade e a origem da produção artesanal do item a ser comercializado. “Parte significativa dos produtores da agricultura familiar das cooperativas cearenses produzem mel e derivados do leite e terão, por meio do Selo, uma forma de destacar o seu produto e comercializar com mais tranquilidade a sua produção”, ensinou.
Novos Canais e Estratégias de Comercialização
O terceiro palestrante foi Bruno Leitão, Administrador Especializado em Marketing, falando dos “novos canais de comercialização: negociação e relacionamento com os clientes das cooperativas”. O objetivo: despertar o produtor para o impacto que a forma de apresentação do produto e as estratégias usadas para levá-lo ao mercado poderão interferir diretamente no sucesso e crescimento da cooperativa como negócio.
A partir de exemplos e números, comprovou a veloz mudança que a sociedade tem experimentado nos últimos anos. “Consequentemente, o cliente também mudou junto”, explica. “Cada vez mais vemos a tecnologia chegar ao campo e adentrar mais ao campo digital”. Nessa perspectiva, Bruno provocou os cooperativistas com a indagação: “Será que vamos continuar a nos relacionar com o mercado do mesmo jeito que fazíamos há 10, há 20 anos?” Ele mesmo respondeu que não. “Não dá mais para continuar parados no tempo”.
O que fazer, então, diante de tantas mudanças e acirramento de espaço no mercado? Para Bruno Leitão, a resposta é utilizar o marketing e as novas plataformas digitais, como Facebook e Instagram, no sentido de promover seus produtos.
Sobre a necessidade de as cooperativas agropecuárias buscarem novos mercados e diversificarem suas receitas, o presidente do Sistema OCB Ceará, João Nicédio, ressalta que o desafio é de extrema importância. Mas lembrou: “A cooperativa só existe se existir negócio, se tiver viabilidade econômica, do contrário ela não tem razão de existir”. O superintendente José Aparecido lançou reflexão: “O ‘eu’ é muito caro, precisamos desenvolver o ‘nós’, o trabalho conjunto. Cooperativismo é união de pessoas”.
A Agroindústria
A palestra de encerramento do III Seminário Estadual do Ramo Agropecuário ficou por conta do Engenheiro Agrônomo e pesquisador da Embrapa Agroindústria Tropical, João Pratagil. A temática foi a “Importância da agroindustrialização”. Tratou da normatização das instalações para beneficiamento dos produtos de origem agropecuária, fundamentais para que as cooperativas possam produzir de maneira adequada, de acordo com as especificações técnicas de cada empreendimento.
Ao destacar a questão da cadeia do agronegócio, os quesitos “antes, dentro e depois da porteira” mereceram reflexões mais aprofundadas por parte do expositor e pelo presidente João Nicédio. Números atestam que ao homem do campo cabe o grande ônus de tudo que vai para as gôndolas dos supermercados (dos insumos à produção), ficando com menos de 19% de tudo que produz; o restante é do vendedor. “Por que isso acontece? Pela falta de união dos produtores. Na cooperativa nós produzimos, armazenamos e vendemos. Todos ganhamos”.
Palavra de Quem Conhece
Para o presidente da Cooperativa Agroecológica da Agricultura Familiar do Caminho de Assis (Cooperfam), Airton Kern, o Seminário mostrou, mais uma vez, que o Sistema OCB Ceará está comprometido com o desenvolvimento das cooperativas do Ramo Agropecuário. Ressaltou a urgência que as cooperativas têm em ampliar seus canais de comercialização já que a dependência de somente um mercado, o institucional, é muito perigoso para o seu faturamento. “Correm o risco de ficarem com seus faturamentos comprometidos, visto que o número de cooperativas disputando um mesmo mercado de compras institucionais aumentou de forma expressiva”, relata.
A Coordenadora do Conselho Fiscal da Cooperativa Agroorgânica do Vale Do Acaraú (Nutrivale), Pollyana Gualberto, conta que esses espaços de encontro, como foi o Seminário, são importantes por serem esclarecedores e agregarem novos e necessários conhecimentos. Afirma que a fala da Engenheira Agrônoma Ana Luísa, sobre o Selo Arte, foi o grande destaque. “Ela apresentou um caminho de comercialização que poucos sabiam. É preciso que o público tenha mais informações sobre o tema”.
Marcelo Barbosa, presidente da Cooperativa Agropecuária de Trairi (Cooperai), chama a atenção para as lições de marketing do palestrante Bruno Leitão. Por tudo que viu e ouviu, a diretoria da Cooperai, afirma ele, está indo pelo caminho correto ao investir na produção das embalagens diferenciadas para a rapadura e a farinha de mandioca, dois dos principais produtos da cooperativa. Conta que a apresentação dos “casos exitosos do Bruno” fortaleceu a proposta de quebra de paradigma na apresentação de produtos pela Cooperai”.