Sistema OCB Ceará realiza live sobre produção de batata-doce alaranjada
Na tarde de ontem (04), através do seu canal no YouTube, o Sistema OCB promoveu a live intitulada “Oportunidade para o plantio de batata-doce de polpa alaranjada no nordeste brasileiro”, apresentando informações sobre técnicas de produção, propagação e plantio.
Na ocasião, as cooperativas cearenses aprenderam sobre os principais diferenciais em relação à cultivar Beauregard (batata-doce de polpa alaranjada), como a padronização das raízes – que são mais lisas, coloração intensa da polpa, maior vida útil após a colheita e maior resistência a insetos sugadores. Representantes de Cooperativas de outros estados nordestinos, como Pernambuco e Sergipe, também prestigiaram o momento.
A live foi instruída pelo Dr. Alexandre Mello, formado em engenharia agronômica com PhD em Fitopatologia, que atua como pesquisador da Embrapa Hortaliças e trabalha com viroses de batata-doce e plantio de batata-doce de polpa alaranjada. “Meu grande desejo é que as batatas-doces coloridas sejam comercializadas em maior quantidade para o consumidor final, muito embora isso seja uma questão cultural do mercado brasileiro, que prefere as raízes de polpa branca. Nos Estados Unidos, por exemplo, a predominância é da batata-doce alaranjada. Mas eu acredito que as batatas-doces coloridas irão ganhar escala no consumo nacional a partir do trabalho da pesquisa, dos produtores e da divulgação para alcançar novos públicos”, projeta o Dr. Alexandre Mello.
Mais sobre a batata-doce de polpa alaranjada
A cultivar de batata-doce Beauregard tem origem norte-americana e foi introduzida no Brasil por meio do Centro Internacional de La Papa (CIP) do Peru, juntamente com outros 45 acessos de batata-doce, como parte das atividades do programa latino-americano AgroSalud, posteriormente integrado ao programa internacional HarvestPlus, que investe na biofortificação de culturas básicas para garantir a maior oferta de vitaminas e minerais na dieta básica das populações mais pobres sujeitas à fome oculta.
Desenvolvida pela Louisiana Agricultural Experiment Station (LSU AgCenter), em 1987, a cultivar Beauregard foi selecionada no âmbito do programa “BioFORT: Biofortificação no Brasil - Desenvolvendo produtos agrícolas mais nutritivos”, tendo sido registrada no país pela Embrapa (em 2010) e recomendada após avaliações em várias regiões do território nacional. No Brasil, o contexto de sua inserção levou em consideração fatores como desnutrição por falta de acesso a vitaminas por parte da população e oportunidade de mercado.
O principal diferencial da cultivar Beauregard em relação a outros materiais de batata-doce é sua polpa alaranjada, um indicativo do elevado teor de betacaroteno. Ela apresenta 10 vezes mais carotenoides - provitamina A - do que as cultivares mais plantadas no país. Essa pode ser uma oportunidade de mercado para os produtores brasileiros, tanto para suprir uma lacuna no mercado nacional, quanto para exportação.
Em variedades de polpa branca, a concentração de betacaroteno é inferior a 10 mg/kg de raiz. No caso da Beauregard, o teor pode chegar a 115 mg/kg de raiz, por isso, ela é considerada uma batata-doce biofortificada. O consumo de 25 a 50 gramas de batata-doce Beauregard supre as necessidades diárias de provitamina A que, no organismo humano, vai originar a vitamina A, uma substância antioxidante muito importante para a saúde, já que previne distúrbios oculares e doenças da pele, auxilia no crescimento e no desenvolvimento e fortalece a defesa do corpo contra infecções.
A cultivar Beauregard possui raízes alongadas, uniformes, do tipo elíptico, com casca vermelho-arroxeada e superfície lisa. As técnicas de produção são semelhantes às utilizadas para as demais cultivares de batata-doce, recomendando-se o espaçamento de 0,8 a 1,0 metros entre leiras e 25 a 30 metros entre plantas. O plantio pode ser realizado em qualquer época do ano, em todo o território nacional, exceto nos locais e períodos em que a temperatura mínima for inferior a 15 °C. O rendimento da cultivar Beauregard varia entre 23 e 29 toneladas por hectare e o ciclo de produção é de 120 a 150 dias.
Fonte: Sistema OCB Ceará e Embrapa